quinta-feira, 2 de abril de 2026

A ÚLTIMA FRONTEIRA DE DOMENICO SACCO: UM ROMANCE SOBRE IMIGRAÇÃO, UTOPIAS E GUERRA


Já está disponível na Amazon o romance A última fronteira de Domenico Sacco: um romance sobre imigração, utopias e guerra, em versões impressa e digital (Kindle). Você pode adquirir seu exemplar.

A obra conduz o leitor por uma narrativa intensa que atravessa continentes e períodos históricos, conectando a imigração italiana no Brasil aos dramas da Primeira Guerra Mundial. Uma história marcada por memória, identidade e pelos grandes dilemas humanos.

Sobre o livro

Há inúmeras obras e filmes que retratam a saga de italianos e italianas que cruzaram o oceano rumo à América. A família Sacco também viveu essa travessia no final do século XIX, marcada por privações, crises econômicas sucessivas e pelo desafio de reconstruir a vida em um mundo desconhecido.

Domenico, o filho mais jovem de Giuseppe Sacco e Maria Rosa Pacelli, chega ao Brasil aos 17 anos. Ali inicia uma jornada que, anos depois, tomará um rumo inesperado. Em 1915, quando a Itália declara guerra ao Império Austro-Húngaro, decide retornar à terra natal e alistar-se no exército.

É nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial — entre as paisagens ásperas do Carso e do Alto Isonzo — que enfrenta o medo, a dor e as contradições de seu tempo.

Mais do que a trajetória de um jovem imigrante, o livro revela um período histórico cujas marcas permanecem vivas no imaginário coletivo. Ao leitor, é lançado o convite de atravessar essa experiência íntima e intensa: a busca de sentido para a própria existência em meio às incertezas da vida e da guerra.

Sobre o autor

Flávio Sacco dos Anjos é Doutor em Sociologia e professor titular da Universidade Federal de Pelotas. Foi professor visitante em universidades da Espanha e da Itália, onde viveu por sete anos, em períodos intermitentes. Desenvolveu sólida trajetória na pesquisa, na pós-graduação e na produção do conhecimento, com ênfase nas transformações sociais e no mundo rural.

Autor de diversos trabalhos acadêmicos, aproxima, neste romance, a investigação histórica da memória familiar, dando forma literária a temas que atravessam sua trajetória intelectual: migração, identidade e pertencimento. Para escrever esta obra, percorreu as ruas de Buccino — povoado de origem da família Sacco —, reuniu dados e testemunhos, mergulhou em registros familiares e esteve nos cenários onde a Grande Guerra foi travada e onde Domenico viveu o crepúsculo de sua existência.


 

sábado, 19 de outubro de 2024

MINISTÉRIO DA GUERRA - Os dados de Domenico Sacco, morto em combate no dia 18/11/1917

 












Documento oficial emitido pelo Ministério da Defesa italiano em resposta ao pedido que fiz sobre a morte de Domenico Sacco em combate



 

"PRIMA BATAGLIA DEL PIAVE"

Compartilho com as pessoas que acompanham este Blogg mais algumas informações interessantes sobre o périplo de Domenico Sacco que culminou com a sua morte em combate no dia 18 de novembro de 1917. Pelo que consegui apurar, sua morte se deu no que aparece definido como "PRIMA BATAGLIA DEL PIAVE", em meio a uma encarniçada resistência dos soldados italianos depois da fragorosa derrota que haviam vivido na chamada "DISFATTA DI CAPORETTO".  

A "PRIMA BATAGLIA DEL PIAVE" foi o começo da reação italiana que acabou por derrotar os austríacos, húngaros e alemães. A morte de Domenico, causada por uma granada lançada pelos inimigos, teria ocorrido na localidade de Granigo, nas proximidades de Cavaso del Tomba, uma comune pertencente à província de Vicenza, região do Vêneto, onde vivem atualmente 2,9 mil habitantes.

Veja-se a descrição constante no sítio da Wikipedia a respeito desse evento:

"La prima battaglia del Piave si svolse durante la prima guerra mondiale (nel novembre 1917) al confine tra Trentino e Veneto, tra il Regio Esercito italiano da una parte e le forze dell'Impero tedesco e dell'Impero austro-ungarico dall'altra. Le truppe italiane, credute vinte e moralmente distrutte anche dagli stessi vertici militari dopo la battaglia di Caporetto[1], opposero invece una tenace resistenza nei dintorni del monte Grappa tra le rive del Brenta e del Piave, permettendo così alla linea difensiva impostata lungo quest'ultimo fiume di continuare a resistere all'offensiva nemica, che dovette pertanto ridimensionarsi alla guerra di trincea"

Compartilho com vocês a foto do livro de alistamento de Domenico Sacco como soldado, logo convertido em "herói de guerra", condecorado pelo Ministério da defesa italiano.





AINDA SOBRE DOMENICO SACCO

Saudações a todas amigas e todos os amigos que acompanham as postagens que faço sobre a "vicenda" da Famiglia Sacco. É bastante complicado obter informações sobre personagens que marcaram nossa história familiar. Quisera comentar aqui mais alguns aspectos sobre Domenico Sacco, o mais jovem dos três irmãos que vieram com seu pai, Giuseppe Sacco e sua mãe, Mariarosa Pacelli, para o Brasil em 1898. Domenico contava apenas 17 anos de idade quando desembarcou no Rio de Janeiro. Ocorre que apenas 17 anos depois, quando ele contava 35 anos, retorna para a velha Itália para alistar-se no "Reggio Esercito" para lutar contra o então chamado Imperio Austro-Úngaro e a Alemanha, seu poderoso aliado. O que consegui apurar nas mensagens trocadas com historiadores italianos, os professores Emilio Franzina e Antonio De Ruggiero, é que o governo italiano, através de suas agências consulares, financiou as despesas de viagem dos ítalo-americanos que haviam decidido atravessar o Atlântico para fazer parte da Grande Guerra (1914-1918). Em torno de 10 mil homens seria o tamanho desse contingente de todo o Brasil. No caso do Rio Grande do Sul ascendeu a 392 indivíduos. O embarque teria acontecido entre junho e setembro de 1915.

A informação procede, dado que os documentos militares a que tive acesso através de mensagens que troquei com o Ministério da Guerra italiano dão conta de que o alistamento de Domenico Sacco ocorreu no dia 21 de janeiro de 1916. Três meses antes disso (20/10/1915), ou aproximadamente depois de 3 meses de seu desembarque em Gênova, ele envia a foto em trajes militares para o querido irmão Vincenzo Sacco desde Caserta, onde se encontrava naquele momento. O que pude apurar é que a saída desses recrutas foi marcada pela exaltação à coragem desses homens e rapazes que se lançaram à aventura de defender a Itália. Na despedida em Porto Alegre brindaram comidas, bebidas, cigarros e outros agrados aos entusiasmados combatentes. Alguns deles se viam diante da possibilidade de conhecer a terra dos ancestrais, como bem destaca o trecho do artigo escrito por De Ruggiero:

[...] a decisão foi motivada por uma série de outras questões, entre as quais a grande curiosidade e a possibilidade única de poder visitar “gratuitamente” os lugares de origem, fortemente idealizados nos anos da juventude. Como se podia ler já no edital oficial da primeira chamada enviado por Roma e divulgado em todos os consulados e vice-consulados, o governo italiano se comprometia com o pagamento da viagem de ida e volta (De Ruggero, 2016, p.304)

Da alegria sobreveio a frustração quando tais indivíduos desembarcaram em Gênova. O fantasma da "Itália madrasta", que fez seus filhos atravessarem o Atlântico em busca de pão e de trabalho que lhes havia sido negado em solo pátrio, se insurge como um espectro assustador. De Ruggero, professor da PUC de Porto Alegre, toma por base o relato de um gaúcho de 18 anos (Olynto Sanmartin) de Santa Maria que estava no grupo a que pertencia Domenico Sacco. No porto de Gênova era grande a decepção e o clima de desespero dos "raggazzi", como descreve nesse relato:

Não havia as bandeiras tricolores, as fanfarras, a comida, a fruta, os cigarros e as bebidas que as autoridades ofereciam do outro lado do oceano à véspera da partida. Pelo contrário, Olyntho percebeu um clima pesado de difidência [desconfiança] e hostilidade, quando com um grupo de outros reservistas ítalomericanos, antes de pegar o trem para sua destinação final, Vicenza, parou para comer em um restaurante da cidade portuária. A maioria dos soldados “continuava na ilusão de que tudo ainda era pago por conta do governo”. Com pouco dinheiro no bolso, muitos deles aproveitaram a ocasião para comer em abundância, antes de descobrir que nada era de graça. Um deles, que “denotava desleixo, pobreza, desânimo” na hora de acertar a conta, desapareceu, fugindo sem pagar. Olyntho, que por acaso tinha-se sentado ao seu lado, apesar de nem conhecer o camarada, teve que quitar a dívida, obrigado pelo proprietário violento do local e por um policial sem piedade (De Ruggiero, 2016, p.304-305; aspas no original). 

Já escrevi sobre Domenico Sacco algumas coisas nesse blogg, mas não deixo de fazer novas buscas porque entendo que sua história pessoal diz muito sobre o que aconteceu no mundo há pouco mais de um século. Entendo que esse registro é crucial, sobretudo para aqueles que anseiam ir mais além da superficialidade das coisas e que alimentam uma curiosidade sobre a vida, sobre os que vieram antes de nós e o mundo que nos cerca. 

Fonte: DE RUGGIERO, A.. A Grande Guerra do ítalo-gaúcho Olyntho Sanmartin. Revista de História da Unisinos, v. 20, p. 300, 2016.

domingo, 18 de dezembro de 2022

Imagem do Vapor Colombo


Imagem do Vapor Colombo, que trouxe Giuseppe, Vincenzo e Domenico para o Brasil (1898).

 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Listagem dos passageiros do Vapor Colombo

 Eis a lista propriamente dita dos passageiros, onde se lê claramente o nome de Giuseppe Sacco (52 anos), Vincenzo Sacco (24 anos) e Domenico Sacco (17 anos), assim como as respectivas idades que tinham à época do desembarque no Rio de Janeiro em agosto de 1898. Espero que esse tipo de informação ajude e incentive outras brasileiras e brasileiros a encontrar dados sobre seus ascendentes.